sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Pá gina

Página em branco.
O que faz começar a escrita?
Qual o impulso? o pulso...
De que material o vazio é preenchido?
de tudo o que pode ser imaginado, pensado e concebido,
entendido?
ou algo que ainda se revelará,
na próxima linha, ou
na entrelinha.

Depois que começa pode continuar
fluida, ininterrupta, jorrante,
saindo pelas bordas;
mas também pode,
assim sem mais, cessar,
e assim, ser a última
palavra
da
página.
E, neste caso, a própria página.

Dom un do


Do mundo tudo se esquece
aquele que nunca viveu
Das coisas tudo se tira
e até o que se perde
no fim é acréscimo
se algo promoveu
Do mundo nada se leva
o acúmulo não serve
para o túmulo só o corpo,
pequenos objetos e algumas vestes
O fim perpétuo?
Ou o início de quê?
Depois do mundo algumas estrelas
cadeias de constelações,
planetas desconhecidos, especulações
Enormes dúvidas, poucas certezas
Nenhuma salvação para o derradeiro
E, por enquanto, eu,
pura contemplação.