Fazia quase sempre o mesmo caminho,
uma sucessão de subidas e descidas.
Ruas largas e irregulares. Impossível de ser diferente.
Todas as possibilidades de percursos alternativos que levassem de um ponto específico a um destino preestabelecido já tinham sido esgotadas e mesmo na mais curta das opções era proporcionalmente extenuante a andança,
mas que no ponto vantajoso,
e isso apenas porque sempre é necessário encontrar o acréscimo das situações,
proporcionava uma resistência em toda sua estrutura,
compactando-o.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
domingo, 27 de julho de 2008
D oce de lito
Equilibrava-se na ponta dos pés e uma pequena pontada de cãibra no meio da sola começava a exigir que voltasse à posição correta e estável de toda a sua extensão no chão, equilibrado, constante e pronto para o próximo passo.
Esforçava-se mais um pouco, era preciso ainda alguns centímetros para alcançar o objeto desejado, postado inerte em cima do armário da cozinha, e agora, era o braço que tinha que esticar-se mais, uma vez que os pés já haviam atingido a maior flexibilidade possível antes de haver algum tipo de distensão muscular. No esforço máximo dos membros superiores e inferiores a ponta do dedo médio roçou o que num pulo foi agarrado e com a falta de agilidade despencado no chão.
O pote de balas despencou para espatifar-se no chão e espalhar as pequenas guloseimas por toda a cozinha. No último quarto do corredor, onde seus pais dormiam, a luz é acesa. A criança, com o cuidado preciso de não cortar-se com os cacos do pote de vidro, apanha algumas balas e corre para seu quarto, o primeiro do corredor.
Antes de seu pai abrir a porta, a criança já está fingindo que dorme, e as provas de seu pequeno delito estão de baixo do travesseiro, produzindo a melada prova que a entregará na manhã seguinte, quando sua mãe arrumar a cama. Mas sua noite será de uma doce insônia.
Esforçava-se mais um pouco, era preciso ainda alguns centímetros para alcançar o objeto desejado, postado inerte em cima do armário da cozinha, e agora, era o braço que tinha que esticar-se mais, uma vez que os pés já haviam atingido a maior flexibilidade possível antes de haver algum tipo de distensão muscular. No esforço máximo dos membros superiores e inferiores a ponta do dedo médio roçou o que num pulo foi agarrado e com a falta de agilidade despencado no chão.
O pote de balas despencou para espatifar-se no chão e espalhar as pequenas guloseimas por toda a cozinha. No último quarto do corredor, onde seus pais dormiam, a luz é acesa. A criança, com o cuidado preciso de não cortar-se com os cacos do pote de vidro, apanha algumas balas e corre para seu quarto, o primeiro do corredor.
Antes de seu pai abrir a porta, a criança já está fingindo que dorme, e as provas de seu pequeno delito estão de baixo do travesseiro, produzindo a melada prova que a entregará na manhã seguinte, quando sua mãe arrumar a cama. Mas sua noite será de uma doce insônia.
Sol u cio n ar
Solução, solucionar.
Desvendado sol, desvendar.
Correr para depois parar.
Respirar.
Pirar, enlouquecer.
Esquecer de ser, não ser.
Folia, foliar.
Ficar ou ir.
Ou esperar.
Promover, para mover.
Provar.
Aprovar.
Solução, solucionar.
domingo, 6 de julho de 2008
Ai nda fa Z. . . ?
Naquela ocasião seria celebrado mais um ano que passava.
Mas para a maioria era apenas mais um dia.
Para a grande massa de gente ao redor do planeta,
compreendendo o mundo todo,
era outro dia que chegava,
para depois de vinte e quatro horas passar,
não ser mais,
só isso.
Gostava do revés,
da contra-mão,
das vias tortas,
do oposto,
do contrário,
do contra.
Contra a sua vontade,
ainda que menos que antes,
quando mais jovem,
faz coisas que seu modo de ver nega,
renega.
Mas não quer mais fazer.
Não faz?
Ainda faz.
Quer fazer?
Não.
Ainda faz...?
To dos osnom es
..."está apenas como alguém que, tendo subido a uma montanha para alcançar as paisagens de além, resiste a regressar ao vale enquanto não sentir que nos seus olhos deslumbrados já não cabem mais vastidões".
Trecho de "Todos os nomes" - José Saramago
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