Equilibrava-se na ponta dos pés e uma pequena pontada de cãibra no meio da sola começava a exigir que voltasse à posição correta e estável de toda a sua extensão no chão, equilibrado, constante e pronto para o próximo passo.
Esforçava-se mais um pouco, era preciso ainda alguns centímetros para alcançar o objeto desejado, postado inerte em cima do armário da cozinha, e agora, era o braço que tinha que esticar-se mais, uma vez que os pés já haviam atingido a maior flexibilidade possível antes de haver algum tipo de distensão muscular. No esforço máximo dos membros superiores e inferiores a ponta do dedo médio roçou o que num pulo foi agarrado e com a falta de agilidade despencado no chão.
O pote de balas despencou para espatifar-se no chão e espalhar as pequenas guloseimas por toda a cozinha. No último quarto do corredor, onde seus pais dormiam, a luz é acesa. A criança, com o cuidado preciso de não cortar-se com os cacos do pote de vidro, apanha algumas balas e corre para seu quarto, o primeiro do corredor.
Antes de seu pai abrir a porta, a criança já está fingindo que dorme, e as provas de seu pequeno delito estão de baixo do travesseiro, produzindo a melada prova que a entregará na manhã seguinte, quando sua mãe arrumar a cama. Mas sua noite será de uma doce insônia.
domingo, 27 de julho de 2008
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