segunda-feira, 20 de outubro de 2008

U mjog ado r

..."Sim, ás vezes, a idéia mais absurda. a mais impossível na aparência, fixa-se tão fortemente em nós que passamos a aceitá-la como algo realizável... Mais: se essa idéia se liga a um desejo intenso, apaixonado, aceitamo-la, por vezes, como algo fatal, indispensável, predestinado, como algo que não pode deixar de ser e de acontecer! É possível que haja nisso algo mais, alguma combinação de pressentimentos, algum extraordinário esforço da vontade, um envenenamento por meio da própria imaginação, ou mais ainda - não sei. Mas, nessa noite (que não esquecerei em toda a minha vida), aconteceu-me um fato milagroso. Embora ele seja confirmado plenamente pela aritmética, continuo a considerá-lo milagroso até hoje. E por que, sim, por que tal certeza estava tão profundamente, tão intensamente enraizada em mim, e de tão longa data? Certamente, eu já pensava nisso - repito-o a vocês - não como um caso que pode acontecer como outros (sendo, por conseguinte, possível também a eventualidade contrária), mas como algo que não pode em hipótese alguma deixar de acontecer!
Eis uma realidade! Eis o que pode significar, às vezes, o derradeiro florim! E o que aconteceria, se eu naquele momento tivesse perdido a confiança, se não me atrevesse a decidir-me?"...


Um jogador - Fiódor Dostoiévski