terça-feira, 3 de junho de 2008

Op ró x imo

Ocorreu-lhe de súbito que ele seria o próximo. Não por nenhum aviso nem por qualquer outra coisa de ordem intuitiva, nem tão pouco de cunho sobrenatural. E este acontecimento, na superfície, tirou sua ordem já abalada, nas profundezas, de natureza confusa, induziu um pequeno movimento corporal e ele saiu a andar.
O previsão do tempo era de chuva intensa, destes dias que a vontade parece padecer e por pura preguiça acaba cedendo à sonolência, mas nem uma gota até aquele momento havia caído do céu, mesmo com as nuvens, do ponto de vista do chão, estando visivelmente transbordantes, saturadas.
Entrou na pequena casa lotérica à três quadras de sua residência, pegou o pequeno papel de apostas, preencheu seus campos, anotou os seis números que durante todo o caminho memorizou, postou-se no último lugar da fila mediana que se formara, esperou sua vez por alguns minutos, pagou com moedas a mulher do guichê e com o comprovante saiu fazendo o mesmo caminho até sua casa.
Na manhã seguinte, esta sim de intensa chuva, contrariando mais uma vez as previsões que diziam ser uma manhã apenas nublada, saiu com destino ao destino de sua sorte. Com o pequeno papel na mão, contrariando sua própria certeza, conferiu que se quer um número ele havia acertado. Amassou o papel, jogou no lixo, e debaixo de chuva voltou para sua casa.

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