No meio da pista principal, logo após um grande caminhão passar, uma pequena rachadura formou-se, quase imperceptível nos primeiros dias, até que tornou-se notável quando um carro em alta velocidade no meio da madrugada passou, no que já era um desnível e um princípio de buraco, furando o pneu.
Pedidos de reparo na pista foram feitos às autoridades de trânsito e até ao prefeito, que pedia calma pois o assunto dependia de verbas do Governo do Estado; a questão é Federal afirmava o governador. O tempo foi passando e o buraco aumentando, tornando a circulação dos automóveis inviável naquele trecho da pista.
Um buraco que aumenta a cada dia e nunca é reparado. Foi demarcado com uma fita de cor bem clara a sua área para que pedestres distraídos ao atravessar a rua não caíssem, para que carros enfurecidos não fossem engolidos. O mês da chuva chegou à cidade e com ele trouxe seu principal personagem: a chuva.
A visão muitas vezes pode nos enganar, e foi isso que aconteceu no local inundado. A rua toda ficou alagada por quase uma semana e o vento arrancou não só telhas e árvores, mas também a fita de cor berrante que demarcava a suave cratera. Aos poucos a água foi cedendo. Via-se poças espalhadas por toda a rua, fios retorcidos, lama por toda a parte.
Mas algo de extraordinário havia acontecido. Não se notava mais o buraco, e justamente por isso, o problema estava resolvido. Não havia mais buraco. O mês da chuva passou e com ele também foi embora seu principal personagem.
Um jornal foi jogado numa lixeira próxima, em sua manchete uma foto de carros sob os escombros numa enorme cratera de uma rua interditada com uma fita de cor berrante, com os seguintes escritos em sua legenda de rodapé: "transtornos provocados pela intensa onda de chuva".
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
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